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Projeto 'Raízes Sertanejas' traz Chico Teixeira , Sérgio Reis e Adriana Farias

Atualizado: 25 de Fev de 2019


Matéria de José Luiz Araújo para o Jornal A Tribuna, de Santos.

Chico Teixeira e Sérgio Reis encontrarão Adriana Farias no palco (Foto: Rita Araújo/Divulgação)

Apesar de estarmos à beira-mar, o clima do Interior vai envolver quem for ao Coliseu domingo (13). O teatro será palco para a última apresentação do projeto "Raízes Sertanejas", que reúne Chico Teixeira, Sérgio Reis e Adriana Farias (violeira e apresentadora do "Viola Minha, Viola", da TV Cultura).

Um encontro para apreciar canções autorais e releituras de clássicos do cancioneiro popular brasileiro. “Homenagem a algumas das minhas principais referências musicais, mas tenho certeza que muitos vão se identificar”, acredita Chico Teixeira (filho de Renato).

A plateia poderá ser presenteada com faixas de "Saturno", o mais novo CD de Chico. Os anteriores são de 02 e 11, portanto, longo hiato entre eles. “Estava comprometido com as apresentações ao lado do meu pai. Há 15 anos sou da banda. Eu estava conversando com meu irmão (João Lavraz que, infelizmente, nos deixou em 2014) e cheguei à conclusão de que era o momento. Aliás, a faixa-título é dele. Há mais nove e a sequência foi pensada para contar uma história”.

Não faltam exemplos de criadores e crias no cenário musical, a chamada herança do DNA artístico, o que, no caso de Chico, em nada o incomoda ou o leva a sentimentos ambíguos. Não há nada a provar. Para si ou para os outros.

“Minha mãe é pianista clássica, meu pai, compositor. Vivo música desde criança. Viajei todos os estados com meu pai. Senti a vibração e a mensagem positiva que ele passa. E fazemos uma música parecida, coerente com nossa história. Ser quem sou e vivenciar isso tem só lucro. Não há ônus algum”.

Curriculum

Tanto que Chico sinaliza ter um o melhor 'patrão' do mundo. “Ele me libera para meus projetos. Quando entrei na banda (que tem excelentes músicos), eu fazia um pouco de tudo. Até dirigia nas viagens pelo interior. É faculdade, mestrado e doutorado em estrada”.

Por conta dessa convivência e aprendizado, Chico afirma que jamais se cobra. O que faz questão de manter é a responsabilidade herdada (e por amor também) em manter viva a tradição que vem do campo, do homem simples e seus temas.

Genuinamente caipira, Chico normalmente é instigado a falar sobre o gênero sertanejo. Discussão que vem de longa data. Desde o surgimento da música "Cuitelinho" (nome regional do beija-flor), com origem no folclore do Pantanal de Mato Grosso. Há 150 anos.

Seria a pequena história de saudade de um soldado brasileiro que lutou na Guerra do Paraguai. A letra foi recolhida por Paulo Vanzolini, que a teria recebido de Antônio Xandó, que teve contato com ela por meio de um pescador.

“As lendas e tradições têm um motivo. Elas criam referenciais para que a gente se posicione bem no presente e projete o futuro. O sertão foi bem retratado por Gonzagão, Jackson do Pandeiro, Tonico e Tinoco Tião Carreiro e Pardinho. Essa é a diferença. A imposição do mercado fez surgir duplas que modernizaram, profissionalizaram os shows, e a sociedade deu o rótulo. Só que muita coisa sertaneja virou 'fast music'.

Café e bolinho de fubá

Sobre sua forma de cantar e compor, Chico não aceita qualificação. Nem dos outros. “Minha missão é ser coerente comigo mesmo a partir das minhas ligações culturais e tradições. Mas na arte pode tudo, ela abre vastas possibilidades”.

O sentimento caipira está com os dias contados? Chico não acredita que aconteça. “Há os violeiros tradicionais, alguns até radicais demais. Mas a preservação não é uma característica brasileira. Em diversos países há jornais específicos sobre cada cultura. A nossa é rica, mas não há esse direcionamento. É uma preservação mais intuitiva, e sem espaço na grande mídia”.

No show de domingo, revela, há um pouco da sua história, tradição e filosofia. Tudo leva à reflexão. Sobre o parceiro Sérgio Reis, diz que em alguns momentos ele ficou mais comercial. “É do mercado. Mas onde chega leva um pedaço do Brasil, porque ele também é um genuíno do sertão”.

Provocado se o ideal, então, é ir ao Coliseu vestido a caráter, soltou: “Pode ir até pelado (risos). É alma de cada um quem realmente o veste”.

Apesar de também compositor, Chico não tem muitas obras gravadas por outros artistas. E é só pedir. Quando acontece, diz ser um enorme prazer. Seu pai, em início de carreira, teve "Romaria" na voz de Elis Regina. “É o ápice para todo compositor. Só que não há mais tantas cantoras gravando músicas dos novos. O que vigora é o mercado”.

Em suas andanças pelo interior deste imenso Brasil, Chico tem se deparado com a transformação das cidades pequenas em metrópoles, devido à inexorável instalação da modernidade. Mas também há um movimento migratório inverso. Gente urbana em busca de uma vida em contato direto com a natureza.

“Em casa eu garanto. Pode vir. O fogão a lenha está sempre acesso, tem bule de café e bolinho de fubá no forno”.

Serviço – Ingressos a R$ 10,00 e R$ 20,00. Rua amador bueno, 237, Santos.


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